Seguro de vida começa a ser procurado por mais jovens


A estabilidade monetária - que permite às pessoas programarem financeiramente o futuro - e a preocupação em deixar a família em bons lençóis no caso de “um dia faltar” têm feito brasileiros procurarem seguros de vida cada vez mais cedo.

Apesar disso, o número de pessoas que possuem este tipo de apólice é pequeno. Uma das dificuldades de quem deveria fazer o seguro de vida é admitir que um dia pode não estar mais aqui para garantir o sustento da família.

Outro empecilho é que muitos não sabem calcular a apólice - valor que os beneficiários receberão - a contratar.

Em alguns casos, o valor a ser recebido pode acabar ficando baixo demais e não cumprir a sua finalidade, ou alto demais, e o prêmio - valor que se paga mensalmente à seguradora - ficar muito elevado.

Seguro de vida não é herança

Existe essa idéia de que o seguro substitui o dinheiro que a pessoa não juntou - diz Gustavo Germano, diretor de Vida e Capitalização da Icatu Hartford.

Uma das formas de se calcular o valor da apólice é multiplicar o valor do salário do contratante pelo tempo que a família pode levar para se reerguer, em geral entre 24 e 36 meses, diz Francisco Toledo, gerente da Área de Vida da Chubb Seguros. Esse cálculo também deve levar em conta a importância do segurado no orçamento doméstico. Para um casal, por exemplo, o valor da apólice de cada um pode ser menor se os dois cônjuges trabalharem.

Também é possível multiplicar o salário pelo tempo que os filhos levarão até se tornarem independentes, mas a apólice pode ficar elevada, tal como o prêmio mensal. Quando os dependentes já são idosos, devese levar em conta sua expectativa de vida.

Seguro de carro faz mais sucesso do que o de vida

O vice-presidente da Área de Vida e Previdência da Mapfre, Bento Aparício Zanzini, lembra que, conforme o contratante envelhece e acumula patrimônio, menor deve ser o valor da apólice do seguro de vida.

Se a pessoa tem 30 anos, é casada, tem filhos e renda mensal de R$ 5 mil, provavelmente não tem poupança. Aí, estamos falando de um seguro de R$ 120 mil a R$ 180 mil (renda de 2 e 3 anos, respectivamente). Mas, quando ela está pelos 50 anos, se já tem metade desse valor, não vai precisar dos mesmos R$ 180 mil de antes - avalia.

Preocupado com o futuro do filho de um 1 ano e da esposa, o analista de tecnologia da informação Dalton Henrique Thomaz Ferreira, hoje com 32 anos, decidiu, aos 30, fazer um seguro equivalente a cinco anos de salário.

Estou no meio da minha vida profissional. Tenho planos de investimento para ter uma vida confortável, mas e se acontecer algo? Não tenho como vender a parte de um imóvel.

Quem tem alguém que ama precisa fazer um seguro

Além da cobertura tradicional, para caso de morte, quem contrata um seguro de vida deve estar atento ainda às coberturas extras, como a por invalidez, lembra Luiz Claudio Friedheim, diretor de Marketing da Mongeral Seguros e Previdência.

Ao contrário do que muita gente ainda pensa, o seguro de vida vai perdendo o sentido conforme se envelhece. Nesse caso, o mais recomendável é que a pessoa tenha acumulado patrimônio ao longo da vida, ou que tenha feito uma previdência privada, lembra Osvaldo do Nascimento, diretor-executivo de Seguros do Itaú. Além disso, justamente pela redução da expectativa de vida, os preços dos seguros de vida a partir de uma certa idade ficam proibitivos.

O presidente da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi), Antonio Cássio dos Santos, que também preside o grupo Mapfre no Brasil, estima que atualmente existam 25 milhões de apólices de seguro de vida contratadas no país, a tirar pelos números das maiores seguradoras. O número representa cerca de um quarto da população economicamente ativa do país. É pouco, ainda mais se for considerado que algumas pessoas têm mais de um seguro: o que a empresa oferece, o que obtêm por livre e espontânea vontade e, muitas vezes, o do cartão de crédito. Ou seja, bem menos de 25% da população tem seguro de vida.

Cássio atribui o baixo número à natureza do produto: diferente do seguro de automóvel, considerado um seguro de demanda - que a própria pessoa faz antes mesmo de retirar o automóvel da concessionária -, o seguro de vida é considerado um seguro de oferta. Não só no Brasil, mas em qualquer lugar do mundo. Ou seja, depende de ser oferecido, raramente as pessoas adquirem por iniciativa própria.

Com isso, os seguros de bens materiais acabam virando prioridade: primeiro o carro, depois a residência, em seguida bens como TV e geladeira, e só depois o sustento da família. Mas ele avalia que o seguro de vida está começando a ser mais aceito quando é oferecido, em parte pelos baixos valores mensais



Segs.com.br  (30/04/2008)