CARRO LEILOADO POR SEGURADORA: VOLTAR A CIRCULAR, SEM SEGURO, NÃO É UMA INCOERÊNCIA?


Houve o sinistro, foi constatado a Perda Total , Construtiva ou por Roubo.

 A seguradora indeniza e fica com o “salvado”.

Para compor o prejuízo, o veículo vai a Leilão.

 Alguns veículos são recuperáveis e outros não, mas ambos voltam ao Mercado.

 O veiculo que não for recuperável vai para o Desmanche, fornecer peças usadas. E o veículo recuperado, voltou à circulação.

 Quem comprou, geralmente, não sabe!

Só vai ficar sabendo quando, ou se, fizer o seguro. Ai, a coisa fica preta para o lado dele: Existe muita dificuldade de aceitação, com valor contratado menor que o usual e com taxa agravada.

 O consumidor, descobre que comprou um carro com problemas documentais, origem desagradável, carente de segurança e plenamente desvalorizado.

 Alguma coisa meio estranha, prá não soar coisa pior.

Em qualquer país desenvolvido o veículo de PT, é destruído, porque muitas são as vantagens desse procedimento. Vejamos:

a) Protege o consumidor.

 b) Segurança para o condutor, passageiro, transeunte, bem público e funcionário público –Policial, inclusive.

 c) Diminui a sinistralidade por roubo ou furto qualificado, salvando vidas.

 d) Torna o seguro mais barato.

 e) Evita reposição de peças usadas, disformes e sem segurança.

 f) Evita crimes, quando os veículos são roubados para “recompor” o veiculo sinistrado.

 g) Evita fraudes.

 h) Aumenta o nível de emprego na indústria, em função de novos veículos no Mercado.

 i) Melhora o nível da frota brasileira.

 j) Impede colisões de carros mal-arrumados com outros veículos e bens.

 k) Etc.

 Mas este resumo dos benefícios, não impede a seguradora de leiloar o salvado, por quê?

 Novamente, o ciclo vicioso da recomposição dos custos, deixando a loteria e a sorte cuidar de quem será a seguradora prejudicada com a próxima PT por roubo, ou conserto com peças usadas.

 Mas se fosse um mero jogo de interesses de seguradoras não seria lá tão importante assim, mas não é!

 Trata-se de um caso de segurança pública e proteção dos direitos do consumidor.

 A pessoa que compra um carro provindo de salvado deveria ter o direito de ressarcir-se de quem vendeu. Ai, uma tese objetiva de que a seguradora é ciente de suas responsabilidades, quando o referido bem voltou e causou prejuízo, que ela sabia, por estatísticas, acontecer. Não haveria co- autoria, ou no minimo imprudência e negligência? Não sei, há de se pensar.

 Mas a dificuldade é grande e o lobby, interessante. Mas há saídas, se forem normativas, depois de parecer da AGU.

 Se não é possível impedir a venda do salvado, que tal a obrigatoriedade de aceitar o salvado que a mesma tenha vendido, nos preços e condições normais de um veículo aceito como passível de ser segurado? Não seria um direito do consumidor, pelo ciclo vicioso do bem em seu retorno às ruas?

 Enquanto alguém não pensar nas vidas perdidas, vítimas em geral, depreciação para o consumidor e etc, até lá a dívida do governo para com os consumidores e a sociedade em geral será impagável.

 Quando o vício termina e o Mercado volta ao normal, todos perceberão que saíram ganhando. Porque a recuperação dos custos pela venda dos salvados não é a solução.

 

Armando Luis Francisco

Corretor de Seguros



http://www.segs.com.br (20/06/2012)