Preços dos seguros desabam 30% no Brasil


Os preços do seguro de responsabilidade civil, que arca com danos a terceiros, despencaram no Brasil nos últimos anos, mas chegaram ao limite da queda. Estudo da corretora Marsh disponibilizado com exclusividade ao BRASIL ECONÔMICO revela que a taxa do seguro — fator que se aplica sobre o valor do bem a ser assegurado, que determina os preços — caiu até 30% apenas no segundo trimestre deste ano.

A queda ocorreu pelo aumento no número de competidores no mercado, ou seja, aumentou a oferta. “Há cinco anos, havia seis operadores e hoje, mais de 20”, diz Eduardo Marques, diretor técnico da corretora Marsh Brasil.

A queda nos preços vem acompanhada da elevação da franquia, parcela que o segurado paga na indenização, segundo uma fonte que preferiu não ser identificada.

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A tendência, de acordo com Marques, é de manutenção do patamar atual das taxas, por acomodação da concorrência. “A nossa expectativa é de que a queda deixe de ser acentuada a partir de agora e comece a apresentar estabilização”, diz.

Kátia Luz, vice-presidente da Odebrecht Corretora de Seguros, diz que a redução dos negócios na Europa e EUA atraiu mais players ao Brasil. “Acredito que agora chegamos a um patamar em que é difícil as taxas recuarem mais.”

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Quando analisado todo o mundo, o movimento que prevalece é de estabilidade na taxa do seguro de responsabilidade civil na maioria dos países, salvo exceções como a Índia, onde as taxas caíram entre 10% e 20% no segundo trimestre do ano. Marques comenta que muitas seguradoras têm voltado suas capacidades para oferecer proteção para outras modalidades que estão sendo mais afetadas por sinistros, como as apólices de propriedades.

Em relação a esta modalidade, chamada de seguro de risco patrimonial — que cobre os ativos do segurado prejudicado por eventos como vendaval, incêndio e alagamento, por exemplo — houve aumento de até 30%, em média, nas taxas no segundo trimestre deste ano em todo o mundo, em decorrência de desastres naturais que ocorreram no ano passado. No Brasil, no entanto, as apólices se mantiveram estáveis.

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No Japão, essas taxas subiram até 30% somente no segundo trimestre deste ano, enquanto nos Estados Unidos a elevação foi de até 20%, assim como na Índia e na Itália. “O que impactou o mercado internacional foram as catástrofes do ano passado, como terremotos e tsunamis no Japão e alagamentos na Indonésia”, explica Marques. Com as seguradoras tendo de indenizar muitos sinistros, a capacidade financeira diminui, o que significa que há menos condições de oferecer proteção.

Em países sujeitos a catástrofes naturais, as taxas têm aumentado desde o ano passado e a tendência é de que elas se mantenham elevadas no segundo semestre do ano. “A maioria das catástrofes aconteceu no meio do ano e algumas renovações de contratos de seguros devem ser feitas agora no segundo semestre.” Quanto ao Brasil, Marques afirma que as seguradoras estão mais seletivas e fazendo diferenciação entre as empresas mais expostas a sinistros e que as taxas devem se manter estáveis até o fim do ano.



http://economia.ig.com.br/ (07/08/2012)